Perrengue: Como a Bolívia acabou sendo palco de imprevistos em viagem econômica

O perrengue escolhido de hoje é o da Cris Freitas (@cryss_freitas). Tudo começou quando a goiana, em torno de 26 anos na época, e seus dois amigos Rui e Dani foram passar as férias na Bolívia, que incluiu conhecer o mais famoso e maior deserto de sal do mundo: o Salar de Uyuni

As passagens aéreas foram compradas com embarque em São Paulo e desembarque na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra, para de lá, pegarem um transporte até o Salar de Uyuni. Os preços baratos dos voos ajudaram muito nos gastos. A ida até a capital La Paz foi em um ônibus tão barato, que os passageiros até dividiam espaço com as galinhas, porcos e outros animais de pequeno porte.

Nem é preciso falar que Cris e seus amigos de viagem estavam com o dinheiro contado. Cada custo com alimentação, transporte e passeios foi exatamente e estritamente calculado, num aperto só. Quando você, meu amigo leitor ou leitora, sai com o dinheiro contado de casa para ir no centro da sua cidade, você já pensa o que pode acontecer? Imagina isso em outro país.

Quando chegaram em La Paz, Cris ouviu a recomendação do taxista de um hotel bem barato, no entanto decidiu ir em outra opção, de quando tinha ido na Bolívia antes. Era um hotel também bastante econômico recomendado por um casal de brasileiros. Na hora em que chegaram no estabelecimento, a atendente informou que aquele lugar nunca tinha sido um hotel antes. Nesse caminho do táxi até o suposto hotel, a nossa viajante já foi protagonizando o primeiro perrengue leve do dia: a jovem percebeu que tiraram um pacote de pilhas do bolso dela.

Depois da primeira tentativa frustrada de achar um hotel, o grupo de amigos voltou para a sugestão do taxista, bem barata, diga-se de passagem. No momento da chegada, depois de entrarem no estabelecimento, viram que, o quarto, ao lado dos seus aposentos, tinha aquelas faixas amarelas de interdição da polícia. Poucos dias antes, havia acontecido um assassinato bem ali.

O susto inicial não foi capaz de quebrar com o ânimo de passear pela cidade de La Paz. Durante o bate perna, a Dani começou a sentir bastante os efeitos negativos da altitude da região. O Rui também não estava se sentindo bem, até sangramento no nariz teve. Cris estava tranquila, leve e solta. Ninguém tinha chegado até ali para ser parado por meros problemas de saúde. Todos os amigos decidiram prosseguir para o almejado, sonhado e desejado Salar de Uyuni.

O ponto alto dos contratempos foi logo no salar, bem onde Cris tinha sonhado tanto em conhecer, que até estudou tudo sobre a atração. No meio das pesquisas, entendeu a importância de escolher uma agência de turismo com carros novos, pois acontecia bastante de os veículos quebrarem no meio do deserto.

Cris começa o passeio feliz e brincando no Salar de Uyuni, nem imaginado o que viria mais para frente

Depois de um trabalho de pesquisa árduo, dedicado e apurado em quatro agências, a escolha da Cris foi simplesmente descartada. Ganhou a preferência do Rui e da Dani. A intuição da Cris insistiu em tentar convencer os seus companheiros de viagem, porém sem sucesso.

Então lá foram os três brasileiros para o passeio que dura três dias. No carro da agência, havia três estadunidenses: duas moças e um rapaz, esse último não teve um dia melhor para descarregar os seus gases durante a viagem toda.

No fim do belo tour, o carro quebra bem no meio do deserto. Horas e horas se passaram sem nem uma alma viva aparecer naquele lugar remoto. Cris, Dani e Rui já ficaram preocupados porque precisavam sair dali logo, afinal já tinham planejado pegar um ônibus de Santa Cruz, para de lá, chegarem em São Paulo. Lágrimas rolaram no rosto de Dani. Depois de um longo tempo, quando avistaram o primeiro carro passando, o pedido de socorro para uma carona foi atendido gentilmente.

Essa é Cris no carro da agência depois do tour. Brincadeira, esse é um vagão do cemitério de trem no Salar de Uyuni

Os três aventureiros conseguiram chegar são e salvos em Santa Cruz até mesmo antes do esperado. De lá decidiram pegar um trem até a fronteira do Brasil e depois foram para Corumbá (Mato Grosso do Sul). Ter um lugar para comprar comidinhas brasileiras e poder sacar dinheiro foi um completo oásis nesse término da viagem. Após tudo isso, Cris, Dani e Rui conseguiram voltar para São Paulo sem mais imprevistos.

Como é o centro da cidade de Cochabamba, na Bolívia?

O centro da cidade de Cochabamba na Bolívia foi uma surpresa para mim. Hoje eu vou mostrar essa região com as suas lindas praças presenteadas por um trabalho de jardinagem, que eu vi em poucos lugares. Outro lugar para conhecer também é o lago La Angostura.

Faria fácil um quadro com uma paisagem urbana dessas repleta de flores
Arquivo pessoal

Diversos estudantes brasileiros vão para Cochabamba por causa dos valores mais acessíveis dos cursos de Medicina. Ao andar pela cidade, você percebe uma vida universitária pulsante. Nas praças é muito comum ver jovens e famílias simplesmente passeando à noite sem nenhuma preocupação.

Olha o trabalho da podadura. Merece uma foto, né
Arquivo pessoal

Os preços dos restaurantes, do transporte e da hospedagem são acessíveis, porém existem também as opções mais luxuosas que têm os seus valores informados em dólares. Quem gasta pouco aproveita e quem gasta mais também. No caso das praças, todo mundo que tiver disposição para caminhar por lá, vai aproveitar o programa sem custo.

A cidade de Cochabamba tem uma parte mais movimentada, mas esse lado é ideal para quem quer descansar e apreciar a vista
Arquivo pessoal

Para fechar o fim do dia, depois do pôr do sol, o Lago Angostura é uma ótima parada, quando começa a escurecer, você pode ver as luzes das casas refletindo na água. Caso você tenha disposição, é até possível fazer uma corrida. Só não se esqueça que o fôlego tem que ser dobrado, por causa da altitude da cidade de 2570 metros acima do nível do mar.

Depois das praças no centro, o Lago Angostura é uma parada linda para terminar o passeio. Só não esqueça de levar uma blusa
Arquivo pessoal